quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

É pela paz que eu não quero seguir admitindo...Que o luto se faça luta



Hoje foi um dia triste.
Choveu em Salvador. A polícia parou e o clima de insegurança começa a se instalar. O Pelourinho esteve mais silencioso que de costume. Boa parte da equipe do Projeto Força Feminina estava em atividades externas...
Hoje foi um dia triste e senti um vazio.
Vazio porque hoje mais uma mulher morreu nessa cidade. Mais uma dentre várias.
Hoje mais uma mulher foi enterrada nessa cidade. Dentre várias...
Hoje foi enterrada mais uma mulher que morreu por conta da violência contra as mulheres. Mais uma mulher foi espancada, violada... Mais uma mulher vítima de estupro - e isso não foi destaque na mídia nacional.
Ela era pobre, negra, não estudou, era usuária de crack, era prostituta.
E o vazio no Pelourinho se fez eco... silêncio... ninguem gritou por essa morte.
Nem mesmo sua filha, no enterro da mãe conseguia gritar... quem escutaria?
...
Escutei. Sei que outras pessoas que ali estavam escutaram...
O que fazer com o que se escutou?

sentir... dor... profunda
sentir...dor...revolta
sentir...dor..bandeira de luta.

Não à violência contra à mulher!
Não à desigualdade social!
Não à exclusão e opressão!

O Projeto Força Feminina e as mulheres do pelourinho seguirão suas vidas... mas estão em luto...
E quero profundamente que o luto se faça luta!

Luz e vibração positiva, Carioca!
Seja paz!
Salvador, 01/02/21012 - 23:40hs.
Lorena - Psicóloga e Educadora Social 

MST lança Centro de Estudos e Formação em Agroecologia e Cultura Cabana em Irituia, no Pará

Da Página do MST
Na semana passada foi lançado o projeto de construção do Centro de Estudos e Formação em Agroecologia e Cultura Cabana (Cefac), no auditório da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), no Pará.
O objetivo do projeto é organizar uma campanha de solidariedade entre os amigos e aliados do MST para ajudarem na construção deste audacioso projeto, que nasce de uma necessidade latente de construir as bases teóricas e materiais de um novo modelo de desenvolvimento para a agricultura, especialmente no bioma amazônico.
Para isso, representantes da Consulta Popular (CP), Associação Brasileira de Estudantes de Engenharia Florestal (ABEEF),  movimento indígena, igreja anglicana e jornalistas do campo de esquerda foram uns dos muitos que estiveram presentes no lançamento.
Este esforço é parte constituinte das lutas construídas historicamente pelo MST e, no plano internacional, pela Via Campesina em sua luta por soberania alimentar. Além de compor um movimento histórico e milenar dos camponeses e povos originários em suas intervenções para o desenvolvimento de uma agricultura saudável e de base familiar.
O projeto é uma parceria entre MST, Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares e Empreendimento Solidário, da Universidade Federal do Pará (UFPA), junto com a Universidade de Alicante e Organização Entrepueblos (Espanha) e está sendo desenvolvido no assentamento Luis Carlos Prestes, no município de Irituia (PA).
Os trabalhos para a reforma do espaço estão sendo realizados de forma voluntária por brigadas vindas de assentamentos e acampamentos do MST do Pará, ao se revezarem quinzenalmente nas mais diversas atividades de carpintaria, hidráulica, pintura e eletricidade.
http://www.mst.org.br/MST-lanca-Centro-de-Estudos-e-Formacao-em-Agroecologia-e-Cultura-Cabana-no-PA
Enviado por Tânia Pacheco, do blog  Combate ao racismoambiental

Uso de agrotóxicos é debatido em cartilha da Anvisa


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária publicou cartilha que busca evitar a intoxicação por agrotóxicos. Movimentos sociais constroem a “Campanha Permanente Contra o Uso de Agrotóxicos e pela Vida”, que divulga os riscos desses venenos e combate sua utilização.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou uma cartilha que orienta os trabalhadores rurais para o uso correto de agrotóxicos. Seu objetivo é evitar a intoxicação de agricultores por essas substâncias. O material também cita alternativas ao uso de agrotóxicos, como a agricultura orgânica. Foram feitas 20 mil cópias para distribuição gratuita.
Último levantamento da Fundação Oswaldo Cruz, de 2009, registrou 11.641 casos de intoxicação por agrotóxicos no Brasil, com 188 mortes. A Organização Mundial da Saúde aponta que para cada diagnóstico desse tipo de intoxicação no mundo, outros 50 casos ficam sem notificação.
Segundo o especialista em Regulação e Vigilância Sanitária da Anvisa, Rodrigo Leite, a cartilha traz recomendações como aplicar o produto somente com receituário agronômico e seguir as orientações do rótulo.
“Uma das recomendações importantes é o uso de Equipamento de Proteção Individual, que é uma roupa apropriada para proteger o aplicador de agrotóxico”.
Rodrigo também ressalta a preocupação da Anvisa no controle dos agrotóxicos.
“A Anvisa tem uma grande preocupação com o uso de agrotóxicos. As moléculas mais perigosas, que realmente representam um risco à saúde são reavaliadas [para liberação ou proibição] quando há qualquer indício que elas podem trazer prejuízos aos trabalhadores ou consumidores”.
Desde 2008, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Dos 50 princípios ativos mais usados em agrotóxicos no Brasil, 20 já foram banidos na União Europeia.
Movimentos sociais constroem a “Campanha Permanente Contra o Uso de Agrotóxicos e pela Vida”, que divulga os riscos desses venenos e combate sua utilização.
De São Paulo, da Radioagência NP, Vivian Fernandes.
07/02/12
Acesse aqui a cartilha sobre agrotóxicos da Anvisa

Congresso instala HOJE CPMI sobre violência contra a mulher

A CPMI terá 180 dias para apurar denúncias de omissão do poder público quanto à aplicação de instrumentos legais criados para a proteção das mulheres.

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar situações de violência contra a mulher no Brasil será instalada na quinta-feira (9). A reunião, em que também serão eleitos presidente e vice-presidente da comissão, ocorrerá na sala 2 da ala Nilo Coelho do Senado, às 10 horas.
A CPMI terá 180 dias para apurar denúncias de omissão do poder público quanto à aplicação de instrumentos legais criados para a proteção das mulheres.
A comissão foi criada por solicitação das deputadas Janete Pietá (PT-SP), Célia Rocha (PTB-AL), Jô Moraes (PCdoB-MG) e Elcione Barbalho (PMDB-PA) e das senadoras Ana Rita (PT-ES), Lúcia Vânia (PSDB-GO), Lídice da Mata (PSB-BA) e Marta Suplicy (PT-SP), com o apoio de outros 45 parlamentares.
Gustavo Lima
Janete Pietá
Janete Pietá: lamenta o desinteresse das autoridades em aplicar a Lei Maria da Penha.
As autoras lembram que a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06) impôs mais rigor na punição de agressores e estabeleceu mecanismos de proteção às mulheres, mas lamentam o desinteresse das autoridades em aplicá-la. Uma das propostas do grupo de parlamentares é apurar por que o Brasil, apesar de ter legislação específica para a violência contra a mulher, ainda ocupa a 12ª posição em número de homicídios de mulheres em um ranking de 73 países.
Políticas públicas
Além de apurar os casos de violência e omissão no atendimento à mulher, a CPMI, que será formada por 11 senadores e 11 deputados, deverá sugerir a adoção de políticas públicas.
A senadora Ana Rita explica que a comissão vai propor alternativas para melhorar o atendimento e tornar mais efetivas as ações de prevenção. Para ela, a CPMI pode se tornar um espaço de articulação das entidades que atuam no combate à violência contra a mulher.
Da Redação/ RCA
Com informações da Agência Senado

Especialistas discutem como alimentar população mundial de 9 bilhões em 2050

Estímulo aos pequenos produtores e combate ao desperdício foram temas tratados em evento em Genebra

O mundo será habitado em 2050 por cerca de 9 bilhões de pessoas, que dependerão de um aumento entre 60 e 90% na produção de alimentos, com seu correspondente impacto no meio ambiente, ou da racionalização de sua produção e consumo.
Este foi o eixo do debate organizado nesta quarta-feira em Genebra pela revista “The Economist”, com a participação de políticos, empresários e especialistas, para apresentar propostas e soluções perante a perspectiva de ter que alimentar 9 bilhões de pessoas dentro de 40 anos. Matéria da Efe.
A potencialização dos pequenos produtores, especialmente nos países pobres e em desenvolvimento, a melhora da cadeia de distribuição de alimentos e a luta contra o enorme desperdício de comida foram os assuntos discutidos durante o seminário.
O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), José Graziano da Silva, abriu a jornada lembrando que três quartos dos 925 milhões de pessoas que passam fome no mundo vivem em áreas rurais de países pobres e em desenvolvimento, e apostou por melhorar sua capacidade de produção e acesso aos alimentos para reverter esta situação.
Graziano lembrou que hoje em dia a comida à disposição de cada pessoa é 40% superior que em 1945, apesar de a população ter aumentado desde então em 4,5 bilhões de pessoas, algo que não se traduziu em uma divisão equitativa.
“A evidência de nosso fracasso coletivo é que quase 1 bilhão de pessoas estão desnutridas e que mais de 1 bilhão sofrem de sobrepeso ou obesidade”, destacou.
De acordo com Graziano, o acesso aos alimentos no âmbito local tem dificuldades para ser melhorado. “Corremos o risco de ter um mundo em 2050 com suficiente comida para todos, mas ainda com milhões de pessoas desnutridas. Muito parecido com o de hoje”, disse.
“Inclusive se ampliarmos nossa produção agrícola em 60% (nos próximos 40 anos), a porcentagem de desnutrição nos países em desenvolvimento estará em torno de 4% em 2050, ou seja, haverá 300 milhões de pessoas alimentadas de forma insuficiente”, explicou.
O diretor-geral da FAO chamou a atenção também sobre o desperdício de comida, já que atualmente são desperdiçados ou esbanjados um terço dos alimentos produzidos, cerca de 1,3 bilhões de toneladas por ano, principalmente no mundo desenvolvido.
“Se reduzíssemos o esbanjamento e a perda de alimentos em torno de 25%, teríamos comida adicional para 500 milhões de pessoas ao ano sem ter que produzir mais”, explicou.
Paul Bulcke, executivo-chefe do gigante alimentício Nestlé, advertiu que além de levar em conta que dentro de 40 anos a população terá aumentado em 2,3 bilhões de pessoas, “estaremos em um mundo mais rico, que vai comer de forma diferente”.
Na sua opinião, neste contexto a produção de alimentos terá que ser incrementada entre 70 e 80%, e inclusive poderia ter que chegar a 90%, levando em conta que “nos últimos anos o crescimento do rendimento de produção por hectare foi muito mais lento que o crescimento populacional”.
Bulcke, que dirige uma multinacional que emprega direta e indiretamente 25 milhões de pessoas no negócio da alimentação, destacou também a importância sociopolítica do setor, com uma crescente volatilidade dos preços que gerou em datas recentes rebeliões civis e quedas de Governos.
Ele criticou o protecionismo na produção agrícola, fazendo referência aos “bilhões de dólares investidos pelos países ricos para proteger seus produtores, provocando uma grave distorção do mercado internacional”.
Bulcke alertou também sobre o impacto dos biocombustíveis no aumento dos preços e sobre um risco associado, o da falta de água, para atender às necessidades futuras: “vamos ficar sem água muito mais rápido que sem petróleo”.
O diretor-geral da Organização Mundial o Comércio (OMC), Pascal Lamy, falou sobre a distorção apresentada pelo mercado, com uma excessiva concentração da produção, alguns países produzindo mais de 75% de produtos como o arroz e a soja.
Lamy apontou a África “como a peça que falta no quebra-cabeças alimentício mundial” e como a solução potencial às necessidades de comida no mundo nas próximas décadas, já que se trata do continente com maior quantidade de terra cultiváveis e com menor produção.
O exemplo é o Brasil: “o milagre brasileiro poderia ser reproduzido. Em menos de 30 anos, este país deixou de importar alimentos para ser um dos maiores celeiros do mundo. Nesse mesmo período, a África passou de um exportador a um importador”, disse.
Matéria da Efe, no Estadao.com.br
EcoDebate, 09/02/2012

AUMENTO DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NO PARÁ

Mulheres denunciam mais a violência doméstica
A cada dia mais mulheres são vítimas do comportamento agressivo de homens. Em 2011 foram registrados 670 casos de agressão. Em janeiro deste ano, já são 57 casos.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Movimento feminista no Fórum Social Mundial 2012: Trabalho das Mulheres e Justiça Socioambiental


Durante o FSM (24-29 Jan), redes feministas irão debater a incidência na Cúpula dos Povos, que ocorrerá paralelamente à Rio + 20.

Carmen Silva / SOS Corpo

Trabalho das Mulheres e Justiça Socioambiental. A partir deste tema o movimento feminista estará realizando no Fórum Social Mundial temático em Porto Alegre, de 24 a 29 de janeiro, uma atividade de articulação de redes e organizações de mulheres para promover incidência política do movimento na Cúpula dos Povos, que ocorrerá em meados do ano, no âmbito da Rio + 20.
A Iniciativa tem à frente a AMB - Articulação de Mulheres Brasileiras, e está sendo puxada pelo SOS Corpo, Cfemea, Coletivo Leila Diniz e Cunhã. A AFM - Articulação Feminista Marcosur, uma das redes que desde o início atua na construção do Fórum Social Mundial, também é promotora desta articulação. O debate que as feministas estão levando para o Fórum, e para a Rio + 20, se propõe a enfrentar o mito da neutralidade da crise ambiental, demonstrando como ela impacta, de forma avassaladora, a vida cotidiana das mulheres e da população negra submetidas às condições de pobreza.
 
Estamos vivendo, hoje, no mundo de diferentes crises: climática, de alimentos, energética, financeira... O forte no debate do momento é a crise ambiental, que coloca em risco a sustentabilidade da vida no planeta. É, ao mesmo tempo, uma crise do padrão de acumulação capitalista, ou seja, o modelo de desenvolvimento adotado pelos Estados-Nação e pelas empresas capitalistas. Ele é produtor da crise e ao mesmo tempo um produto dela. Embora tudo isso esteja acontecendo de fato, penso que estamos vivendo uma crise civilizatória. O que está em cheque não é apenas o meio ambiente ou a acumulação capitalista, mas todo o modo de produção, consumo e organização da vida social ao qual estamos submetidas.
 
O modelo de civilização que predomina é o baseado na exploração dos seres humanos e da natureza. A riqueza é apropriada por poucos e se constrói por meio do trabalho e da exploração de muitos, e da apropriação da natureza, sem limites. Este formato é ‘naturalizado’ por processos ideológicos e está diretamente ligado às formas de dominação próprias do sistema patriarcal - sistema de dominação dos homens sobre as mulheres, e do racismo - que confere valor e poder às pessoas brancas e oriundas de países centrais deste modo de desenvolvimento capitalista, em prejuízo às pessoas dos países que foram colonizados, de etnias originárias destes países, ou que são negras, afrodescendentes.
 
Embora vivamos uma crise civilizatória que diz respeito à toda humanidade, o fato de vivermos num sistema capitalista, patriarcal e racista, faz com que os efeitos não nos atinjam a todos/as com a mesma intensidade. As mulheres, as pessoas negras, indígenas e outros grupos étnicos dominados são atingidos de forma distinta dada a sua situação nas relações de poder na sociedade e as realidades socioeconômicas, territoriais e culturais que vivenciam. Vendo por este ângulo, falar em racismo ambiental significa que as populações negras e indígenas são aquelas mais fortemente atingidas pela degradação ambiental e sofrem as maiores consequências da crise climática.
 
Nossa crítica feminista, na AMB, tem tomado como referência as ideias sobre patriarcado, as nossas lutas contra os projetos de desenvolvimento e suas conseqüências sobre as mulheres e as nossas experiências com relação às mulheres quilombolas, indígenas e de outras populações tradicionais. O patriarcado, como sistema de dominação dos homens sobre as mulheres em todos os âmbitos da vida, é anterior ao capitalismo e a colonização da América Latina, mas se fortalece com esta forma civilizatória dominante. A crítica feminista a este modo de organização social toma como referência a exploração e a dominação das mulheres perpetuadas pelo sistema patriarcal-racista-capitalista. Também consideramos relevante resgatar que nós, mulheres, individualmente e como sujeitos políticos coletivos, resistimos e lutamos contra este sistema.
 
No Brasil, o patriarcado e o capitalismo estão completamente articulados desde a ocupação do território pelos portugueses. Ambos se estabeleceram a partir da dominação étnica-racial. Este(s) sistema(s) se retroalimentam, no domínio econômico e político do território, da natureza, dos povos escravizados e/ou dizimados, e em especial, das mulheres. O domínio e exploração da natureza se articulam diretamente com o domínio da força de trabalho humana escravizada, e com a sobre-exploração das mulheres. Para além da exploração econômica, este(s) sistema(s) constitui uma profunda força ideológica de negação da população racializada, seu corpo e seu ser, como humanidade, e gera as condições para a manutenção do racismo na formação social brasileira.
 
A consequência disso é que hoje somos nós, mulheres, que vivemos as piores condições de exploração, incluindo nossos corpos para fins sexuais, nos territórios de implantação de grandes projetos econômicos. São as mulheres negras, pobres e encarregadas das famílias que vivem nos territórios urbanos submetidos às piores condições ambientais; são as mulheres indígenas, quilombolas e trabalhadoras, que têm menos poder nas organizações políticas e nos processos de negociação com o Estado brasileiro para fins de garantias de direitos e de seu território.
 
Ainda hoje continuamos sendo colonizadas, nossos corpos, nosso tempo, nossa força de trabalho... Por isso, queremos dialogar sobre nossas vidas, nossas lutas, o mundo que queremos viver e o que nós mulheres feministas, indígenas e não indígenas, podemos e queremos fazer juntas, para transformar o mundos e as nossas vidas. 
 27 de janeiro de 2012 
09h00
TRABALHO DAS MULHERES E JUSTIÇA SOCIOAMBIENTAL
AMB (Articulação das Mulheres Brasileiras) / AFM (Articulación Feminista Marcosur)
Porto Alegre
Casa de Cultura Mário Quintana
Enviado por Nilde Sousa - Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB)/Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense (FMAP)

Produção orgânica é mais lucrativa


Agricultura ecológica pode render ganhos 25% superiores em relação à convencional.
Celso Martins
Quando ninguém ainda falava em agricultura orgânica, praticada sem uso de agrotóxicos, Odilon Francisco Alves já estava no ramo, usando técnicas e procedimentos que recebeu de herança de seus antepassados. Com 61 anos de idade, residente em Ratones, ele começou na atividade em 1971, quando adubos e defensivos químicos não eram fornecidos em larga escala como acontece atualmente.

"Eu uso 30% de esterco de pinto e 70% de esterco de gado. Tem que fazer essa mistura, pois o mais forte é o do pinto, que não pode ser usado sozinho, pois queima as plantas", ensina Odilon, que se acorda todos os dias por volta das 6 horas, trata as cerca de 30 cabeças de gado que possui e vai para a plantação de legumes e verduras junto com a esposa e um cunhado. "Dá para o gasto", garante, não tendo "nada do que reclamar".


Odilon é um dos muitos produtores orgânicos da região metropolitana da Florianópolis, cuja atividade possibilita um valor agregado 25% maior do que na agricultura convencional. A informação está num estudo que acaba de ser divulgado pelo Instituto Cepa, órgão da Secretaria Estadual de Agricultura - "A agricultura orgânica na região da Grande Florianópolis - Indicadores de desenvolvimento", elaborado com recursos do Fundo Rotativo de Estímulo à Pesquisa Agropecuária (Fepa).


Nascido na praia do Forte, onde se tornou pescador aos 8 anos de idade, Odilon casou em 1971, ano em que foi residir em Ratones, iniciando a horticultura orgânica. É ele quem produz parte dos alimentos que chegam às mesas dos consumidores de Florianópolis: rúcula, chicória, alface, radicci, espinafre, couve, cebola verde e salsa, entre outros produtos. 


Ele trabalha numa área de aproximadamente 34 mil metros quadrados, pouco mais de três hectares, repleta de canteiros cobertos com plásticos furados por onde saem as plantas. "Se não colocar essa cobertura a gente não dá conta de tirar o mato que cresce. A terra é boa e bem adubada, então tudo cresce muito bem aqui", explica. "Dá muito trabalho cuidar disso tudo, mas compensa, pois o pessoal hoje em dia prefere o que é plantado sem veneno", acrescenta.

Enviado por Associação Ipê